O Brasil
tem a quarta maior população carcerária do mundo. A maioria (70%) é negra e
convive com problemas de superlotação, tortura, mais a ineficácia dos programas de ressocialização e a discriminatória política
de aprisionamento. "A realidade é
triste e preocupante. Mas falta vontade política para ter um sistema prisional
diferente. Ele é medieval há muito tempo", afirmou Lucia Nader, diretora
executiva da organização de direitos humanos Conectas, em entrevista à BBC
Brasil.
Para
aumentar o problema, existe uma incrível passividade da imprensa (tanto da Grande Imprensa como dos da imprensa alternativa), que, ao invés
de cumprir seu papel e exigir melhoras, opta por esquecer os problemas que
atingem os mais de meio milhão de presos. Mas essa passividade não existe
quando o assunto em pauta são os presos do Mensalão. Nesse caso todas as regras
devem ser bem cumpridas e, se não, eles se ocupam de fazer um escândalo
sensacionalista, porque as regras só valem para certas pessoas que têm importância
política em ano de eleições. Os outros presos que se f*.
É uma crítica
que vale para os dois lados: conservador e progressista. Afinal: por que as
prisões dos petistas são mais importantes que qualquer outro preso? O motivo é,
logicamente, político, mas essa equação ganha um tom de cinismo quando analisamos
os comportamentos de ambos lados.
De um lado temos
os bloggeiros progressistas. Eles, a esquerda, que teoricamente deveria lutar
pelos direitos dos oprimidos, passam mais tempo reclamando das injustiças
cometidas com o Dirceu e o Genuíno que defendendo outras pessoas em situação
parecida ou pior. Quantos presos foram injustiçados no Brasil? Nossa Justiça é
seletiva e sempre falha no ponto mais fraco da sociedade: os pobres. Mas com
Dirceu nada pode falhar. “Ele deveria estar em regime semi-aberto”, dizem os
esquerdistas com tom de indignação. E quantas pessoas já cumpriram suas penas e
continuam presos? Eles não merecem um pequeno espaço em algum jornal ou um post
em algum dos bloggs que tanto lutam pelos direitos dos Mensaleiros?
Os
bloggeiros criticam a Grande Imprensa por tratar os demais de acordo com a “meritocracia”
(se esse cidadão é rico e “de bem”, merece justiça, se não, vai em cana). Mas
eles não vêem que fazem o mesmo quando o assunto são os Mensaleiros. Passam
mais tempo lutando e reclamando de detalhes dos julgamentos da Ação 470 que
exigindo pequenas melhoras para toda massa carcerária. Aí entra o motivo político,
porque os eleitores petistas querem e se fazem de injustiçados para ter argumentos contra
quem diz que eles os mensaleiros são corruptos. Ora, sabemos que Dirceu não é
um santo. Ninguém é. Por mais que o domínio do fato tenha sido uma medida
suspeita e questionável, devemos acatar a decisão do Supremo e respeitá-la, caso contrário
estaremos indo contra os princípios democráticos e, ao mesmo tempo, atentando
contra o sistema que a própria esquerda suou e sofreu por criar.
Do outro
lado temos a Grande Imprensa, que diretamente nunca se preocupou com a imensa
massa carcerária do Brasil, mas com os Mensaleiros eles se preocupam, porque eles
devem continuar na pauta de notícias para ajudar a Oposição. Todos sabem que
nossos presos têm o costume de usar celular (!). Mas quem disse que a Globo se
importa com isso? O problema vem quando o Dirceu usa celular. Aí não pode, é
contra a lei. É que a organização que gestiona a maior rede de televisão da América
Latina realmente não vê motivo para se preocupar com os presos e com suas vítimas, porque o celular, na prisão, também é usado para cometer crimes.
Tirar os
celulares das cadeias não faria a opinião pública ir contra o PT. Mas atacar os
mensaleiros, sim. Então esquecem que as televisões são consideradas serviço público,
assim como o jornalismo, e simplesmente fazem ataques políticos, que é melhor
para eles mesmos. Nossa Grande Imprensa sempre foi seletiva e não mudará tão
cedo. Mas o mínimo que poderiam fazer é exigir um pouco de justiça nas prisões,
divulgando dados carcerários e mostrando soluções encontradas em outros países.
Mas, como disse Lucia Nader, falta vontade política e, como eu disse, falta exigencias do quarto poder, o que teoricamente geraria a vontade política. Mas, em ano de eleições, infelizmente, o que não tem resultados eleitorais não
tem importância para quem disputa o poder de forma egoísta.
Para quem
quer ler os textos que citei no post, aqui abaixo estão os links:
Blog de
Paulo Henrique Amorim
Notícia de
O Globo
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