Nesse fim de
semana, uma reportagem do Brasil 247 fechou o balanço semanal de matérias
do Jornal Nacional. Segundo os dados, de segunda a sexta, foram 56 minutos e 57
segundos de matérias desfavoráveis ao PT, enquanto o PSDB teve 1 minuto e 48
segundos de informações desfavoráveis. Os mais de 50 minutos que atacavam o
Governo Federal trataram, principalmente, sobre a Petrobrás e sua CPI, o atraso
nas obras da Copa, o baixo crescimento da economia e o caso do deputado André
Vargas. Todos eles são temas delicados para o PT, apesar de alguns, como o caso
da Petrobrás e do baixo crescimento da economia, terem crescido graças à sua freqüente
presença na imprensa oposicionista.
O Brasil 247,
que sempre apoiou os políticos petistas (2 + 4 + 7 é igual a 13, que é a sigla
do partido), não destaca somente o alto grau de partidarismo do principal
jornal das Organizações Globo; afinal, as publicações desse jornal progressista
também são bem partidaristas. Prefere, por outro lado, destacar os fatos que
deixaram de ser noticiado pelo jornal da Globo. Esses são os pontos:
1) Na quinta-feira o pré-candidato do PSDB ao
governo de Minas, Pimenta da Veiga, foi indiciado pelo crime de lavagem de
dinheiro pela Polícia Federal. A notícia teve só 38 segundos no “Jornal
Nacional”.
2) A maior cidade do país (São Paulo) está muito próxima de um racionamento de água. Obras de abastecimento são de responsabilidade do governo estadual, ocupado pelo PSDB há 20 anos. Isso deveria ter bastante espaço no “JN”, mas não teve.
3) Uma parte considerável no noticiário anti-PT foi dedicada ao Deputado Federal André Vargas, que é acusado de ter envolvimento com um doleiro preso, pois andou no ”jatinho” do mesmo. A questão é que o senador Álvaro Dias, do PSDB, já andou nesse mesmo jatinho, segundo uma reportagem da Folha de 04 de março de 2001. Nada foi falado na Globo sobre isso.
Essas informações são importantes e
desconhecidas graças à seletividade informativa dos principais meios de comunicação
do país. Faltando pouco tempo para as eleições, os dados que apontam
partidarismo na chamada Grande Imprensa disparam, e a seleção de notícias que
prejudica só um lado também afeta a liberdade de informação da população, que
teoricamente está assegurada dentro da liberdade de imprensa.
O problema surge quando o cidadão não sabe qual
jornal apóia quem. E isso é conseqüência da omissão proposital da linha
editorial dos meios de comunicação. Entre os principais veículos de comunicação
do país, as Organizações Globo e o Grupo Folha se declaram neutros, enquanto o
Grupo Estado e o Grupo Abril simplesmente não declaram nada. Ora, que serviço público
é esse que, logo de cara, omite suas preferências políticas? O que pretendem com
uma decisão dessas? A resposta está na credibilidade: quando uma pessoa sabe
que você apóia esse e não aquele partido, ela desconsiderará suas informações,
pois passa a considerá-las “propaganda” partidária.
Os meios de comunicação, com medo de ser
tachados de partidaristas e de ter sua credibilidade condicionada, ocultam suas
preferências políticas. Com isso, asseguram uma credibilidade que seria
subtraída caso declarassem sua preferência política. Quem tem a perder com essa
decisão são os cidadãos menos esclarecidos, que, sem conseguir ver preferências
políticas claras, acreditam no que lhes convém. Não sabem exatamente onde se situa
a manipulação e acabam caindo nela por não se atrever a abrir os olhos.
Hoje, a imprensa brasileira está fortemente polarizada,
assim como a sociedade (um pode ser conseqüência do outro), o que
facilita a identificação de ambos os lados. Mas é preciso abrir os olhos e
analisar os noticiários friamente para entender por que publicam “isso” e não “aquilo”.
Ou então basta ler análises de imprensa como esta. Elas destacarão a verdade,
mas normalmente, assim como essa publicação do Brasil 247, atacarão o lado
oposto.
Ainda assim, é importante conhecer quem nos
informa. Somente dessa forma existirá a analise crítica que permite desmascarar
manipulações. Dos quatro grandes grupos de comunicação citados anteriormente, todos
são conservadores (a Folha em menor grau) e tendem a defender o PSDB (principalmente
o Governo do Estado de São Paulo). As publicações progressistas têm menor audiência
e visibilidade no Brasil. Revistas como Carta Capital ou Caros Amigos são
conhecidamente de esquerda, assim como os chamados “blogs sujos” (nome
inventado por José Serra para designar os meios de comunicação que atacaram sua
campanha em 2010) como o Conversa Afiada de PH Amorim, o Viomundo de Luiz
Carlos Azenha ou O Tijolaço de Miguel do Rosário.
Todas essas publicações esquerdistas criticam a
Grande Imprensa e promovem, em suas publicações, um partidarismo similar, mas
em relação ao PT e aos seus projetos sociais. Isso se deve, possivelmente, à
polarização da Grande Imprensa. Quando os principais meios de comunicação do país
protegem só um lado, surge um vácuo no mercado que exige publicações que
protejam o outro lado. Esse outro lado hoje denuncia as publicações
excessivamente partidaristas da Grande Imprensa (a seleção de notícias do JN,
por exemplo) e protege os políticos do Partido dos Trabalhadores. Sua audiência
é claramente progressista, apesar de atualmente contar com muitos comentaristas
conservadores em suas notícias publicadas nas redes sociais.
E assim se articula a imprensa brasileira.
Polarização tremenda e pouca vontade de entender o outro lado. Em ano de eleição
essa polarização se acentua e chega ao extremo. E, nesse momento, é mais
importante conhecer aquele que nos informa. Cabe à sociedade entender o papel
de cada elemento e selecionar as informações que, contrastadas, mostrem a
verdade. Por isso é sempre aconselhável ler publicações de ambos os lados da
moeda. Somente dessa forma é possível entender a realidade como ela é: boa para
alguns, ruim para outros, onde cada um destaca somente aquilo que lhe convém. Sabendo
isso, é preciso se informar através de ambos lados para conhecer as informações
verdadeiras.
PS: eu, Rafael, tenho claramente uma preferência
progressista. Quem concorda com essas idéias se identificará com os temas de
meu blog, apesar de eu não tratá-los com um ponto de vista exclusivamente
partidarista. Quem não se identificar, procure ler para entender como o outro
lado pensa. O mesmo conselho é aplicável àqueles de preferência progressista: ler
a Veja pode parecer um sacrifício, mas somente conhecendo os argumentos opostos
é possível chegar à um consenso. Isso é Democracia com D maiúsculo, quem quiser
Ditadura deve voltar aos anos 60 ou se mudar para Cuba. Mas, hoje, é preciso
aceitar e entender o outro lado para poder conviver com ele e superar as
limitações de ambos.
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