1 Outro Ponto

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

A seleção de notícias do Jornal Nacional e a polarização da imprensa

Nesse fim de semana, uma reportagem do Brasil 247 fechou o balanço semanal de matérias do Jornal Nacional. Segundo os dados, de segunda a sexta, foram 56 minutos e 57 segundos de matérias desfavoráveis ao PT, enquanto o PSDB teve 1 minuto e 48 segundos de informações desfavoráveis. Os mais de 50 minutos que atacavam o Governo Federal trataram, principalmente, sobre a Petrobrás e sua CPI, o atraso nas obras da Copa, o baixo crescimento da economia e o caso do deputado André Vargas. Todos eles são temas delicados para o PT, apesar de alguns, como o caso da Petrobrás e do baixo crescimento da economia, terem crescido graças à sua freqüente presença na imprensa oposicionista.

O Brasil 247, que sempre apoiou os políticos petistas (2 + 4 + 7 é igual a 13, que é a sigla do partido), não destaca somente o alto grau de partidarismo do principal jornal das Organizações Globo; afinal, as publicações desse jornal progressista também são bem partidaristas. Prefere, por outro lado, destacar os fatos que deixaram de ser noticiado pelo jornal da Globo. Esses são os pontos:

1) Na quinta-feira o pré-candidato do PSDB ao governo de Minas, Pimenta da Veiga, foi indiciado pelo crime de lavagem de dinheiro pela Polícia Federal. A notícia teve só 38 segundos no “Jornal Nacional”.

2) A maior cidade do país (São Paulo) está muito próxima de um racionamento de água. Obras de abastecimento são de responsabilidade do governo estadual, ocupado pelo PSDB há 20 anos. Isso deveria ter bastante espaço no “JN”, mas não teve.

3) Uma parte considerável no noticiário anti-PT foi dedicada ao Deputado Federal André Vargas, que é acusado de ter envolvimento com um doleiro preso, pois andou no ”jatinho” do mesmo. A questão é que o senador Álvaro Dias, do PSDB, já andou nesse mesmo jatinho, segundo uma reportagem da Folha de 04 de março de 2001. Nada foi falado na Globo sobre isso.

Essas informações são importantes e desconhecidas graças à seletividade informativa dos principais meios de comunicação do país. Faltando pouco tempo para as eleições, os dados que apontam partidarismo na chamada Grande Imprensa disparam, e a seleção de notícias que prejudica só um lado também afeta a liberdade de informação da população, que teoricamente está assegurada dentro da liberdade de imprensa.

O problema surge quando o cidadão não sabe qual jornal apóia quem. E isso é conseqüência da omissão proposital da linha editorial dos meios de comunicação. Entre os principais veículos de comunicação do país, as Organizações Globo e o Grupo Folha se declaram neutros, enquanto o Grupo Estado e o Grupo Abril simplesmente não declaram nada. Ora, que serviço público é esse que, logo de cara, omite suas preferências políticas? O que pretendem com uma decisão dessas? A resposta está na credibilidade: quando uma pessoa sabe que você apóia esse e não aquele partido, ela desconsiderará suas informações, pois passa a considerá-las “propaganda” partidária.

Os meios de comunicação, com medo de ser tachados de partidaristas e de ter sua credibilidade condicionada, ocultam suas preferências políticas. Com isso, asseguram uma credibilidade que seria subtraída caso declarassem sua preferência política. Quem tem a perder com essa decisão são os cidadãos menos esclarecidos, que, sem conseguir ver preferências políticas claras, acreditam no que lhes convém. Não sabem exatamente onde se situa a manipulação e acabam caindo nela por não se atrever a abrir os olhos.

Hoje, a imprensa brasileira está fortemente polarizada, assim como a sociedade (um pode ser conseqüência do outro), o que facilita a identificação de ambos os lados. Mas é preciso abrir os olhos e analisar os noticiários friamente para entender por que publicam “isso” e não “aquilo”. Ou então basta ler análises de imprensa como esta. Elas destacarão a verdade, mas normalmente, assim como essa publicação do Brasil 247, atacarão o lado oposto.

Ainda assim, é importante conhecer quem nos informa. Somente dessa forma existirá a analise crítica que permite desmascarar manipulações. Dos quatro grandes grupos de comunicação citados anteriormente, todos são conservadores (a Folha em menor grau) e tendem a defender o PSDB (principalmente o Governo do Estado de São Paulo). As publicações progressistas têm menor audiência e visibilidade no Brasil. Revistas como Carta Capital ou Caros Amigos são conhecidamente de esquerda, assim como os chamados “blogs sujos” (nome inventado por José Serra para designar os meios de comunicação que atacaram sua campanha em 2010) como o Conversa Afiada de PH Amorim, o Viomundo de Luiz Carlos Azenha ou O Tijolaço de Miguel do Rosário.

Todas essas publicações esquerdistas criticam a Grande Imprensa e promovem, em suas publicações, um partidarismo similar, mas em relação ao PT e aos seus projetos sociais. Isso se deve, possivelmente, à polarização da Grande Imprensa. Quando os principais meios de comunicação do país protegem só um lado, surge um vácuo no mercado que exige publicações que protejam o outro lado. Esse outro lado hoje denuncia as publicações excessivamente partidaristas da Grande Imprensa (a seleção de notícias do JN, por exemplo) e protege os políticos do Partido dos Trabalhadores. Sua audiência é claramente progressista, apesar de atualmente contar com muitos comentaristas conservadores em suas notícias publicadas nas redes sociais.

E assim se articula a imprensa brasileira. Polarização tremenda e pouca vontade de entender o outro lado. Em ano de eleição essa polarização se acentua e chega ao extremo. E, nesse momento, é mais importante conhecer aquele que nos informa. Cabe à sociedade entender o papel de cada elemento e selecionar as informações que, contrastadas, mostrem a verdade. Por isso é sempre aconselhável ler publicações de ambos os lados da moeda. Somente dessa forma é possível entender a realidade como ela é: boa para alguns, ruim para outros, onde cada um destaca somente aquilo que lhe convém. Sabendo isso, é preciso se informar através de ambos lados para conhecer as informações verdadeiras.



PS: eu, Rafael, tenho claramente uma preferência progressista. Quem concorda com essas idéias se identificará com os temas de meu blog, apesar de eu não tratá-los com um ponto de vista exclusivamente partidarista. Quem não se identificar, procure ler para entender como o outro lado pensa. O mesmo conselho é aplicável àqueles de preferência progressista: ler a Veja pode parecer um sacrifício, mas somente conhecendo os argumentos opostos é possível chegar à um consenso. Isso é Democracia com D maiúsculo, quem quiser Ditadura deve voltar aos anos 60 ou se mudar para Cuba. Mas, hoje, é preciso aceitar e entender o outro lado para poder conviver com ele e superar as limitações de ambos. 

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