1 Outro Ponto

1 Outro Ponto

terça-feira, 15 de abril de 2014

O Brasil está “nos trilhos”, por incrível que pareça.

O Brasil não está bem. Ainda existem realidades e histórias dignas de filmes dramáticos, como os milhares de homicídios ocorridos em nossa pátria amada; as desocupações vergonhosas motivadas por interesses privados e ignoradas pelo Estado; os espancamentos motivados pela “justiça com as próprias mãos”; as milhares de crianças nas ruas ou desaparecidas; os analfabetos que nunca tiveram oportunidades educacionais; o trânsito e péssimo serviço público de transporte, que tira horas de bem estar dos cidadãos; a fome, que ainda existe inclusive ao lado de prédios comerciais onde se movimentam milhões de reais; a ignorância da população que literalmente ignora sua participação nos problemas do país; as vidas inocentes perdidas diariamente em favelas; os bilhões de reais dados a estádios que serão usados por 40 dias; os policiais ditatoriais que fazem sua própria lei ao invés de se submeter ao Estado de Direito; a terrível situação dos hospitais públicos, onde morrem pessoas esperando o atendimento; o preconceito histórico que sempre existiu principalmente nas classes favorecidas (incluído o preconceito contra pobres); a falta de ética e moralidade em nossos políticos; a falta de alternativas benéficas nas sucessões governamentais; os problemas de infra-estrutura; os altos preços de certos produtos; o monopólio da imprensa, que tem exatamente o mesmo discurso mesmo sendo rivais de audiência; a hipocrisia da própria imprensa, que se julga imparcial e protetora da sociedade, enquanto só protege seus próprios interesses; o ódio que o brasileiro sente de ser brasileiro e dos próprios conterrâneos; entre milhares de outros problemas que encheria páginas e mais páginas de qualquer jornal ou revista.




A situação não é boa, de fato. Mas a situação do país não está indo a pior. Não existem fatos, hoje, que demonstrem uma piora social no Brasil. Isso porque, antes, a situação era pior. Antes de 1994 o Brasil estava mais perdido ainda. A inflação era um terror (que não se lembra das compras nos mercados, de manhã era um preço e à noite, outro) e o país ainda sofria com todos esses problemas citados acima. O Governo de FHC não foi perfeito e teve muitos erros, mas estabilizou a economia. O Plano Real funcionou e, se hoje o Brasil tem estabilidade econômica, é graças aos trabalhos feitos ontem. Com a estabilização monetária, os governos seguintes poderiam manter o crescimento e aplicar os ganhos econômicos na sociedade. Foi o que o Lula fez. Seu governo também não foi perfeito: teve muitos erros e em certas situações foi especialmente omisso. Mas levou aos mais pobres um pouco da riqueza do país. Tirou milhões da miséria e implantou programas sociais que nos livraram da Crise Econômica Mundial, pois o crescimento do mercado interno manteve a econômica em alta, enquanto o resto do mundo estava em queda livre, arrastado com Estados Unidos e Europa. O Brasil se livrou da crise e conseguiu visibilidade internacional com Lula. Quitou a dívida externa e fez avanços sociais elogiados e copiados mundialmente.



Hoje, o mercado interno se estabilizou e o Brasil tem uma nova classe média que mantém o mercado interno funcionando, enquanto a maioria do resto do mundo (principalmente países como Espanha, Grécia ou Itália) não consegue sair de casa para comer em um restaurante ou para comprar uma roupa nova. Mas esse crescimento brasileiro vem diminuindo com o passar dos meses. E é por isso que jornais estrangeiros afirmam que o “oxigênio do Brasil acabou”. O mercado interno já não levanta a economia e o país precisa de novas alternativas. É hora de investir a longo-prazo. Somente ações desse tipo manterão o crescimento e oferecerão melhorias em infra-estrutura, transporte, educação e saúde, o que se traduz em simples bem estar social. O Governo Federal demonstrou ter percebido a mudança dos tempos: tomou a iniciativa e lançou alguns planos que, teoricamente, melhorariam essas áreas que continuam abandonadas. Os PAC-1 e PAC-2 são planos audaciosos que levariam investimentos desse tipo, mas pouco menos da metade do investimento foi destinado para a construção civil, o que não gera empregos nem traz desenvolvimento. E, das obras concluídas, mais da metade corresponde a financiamento hipotecário, o que não supõe avanços para long-prazo. Os Programas de Aceleramento do Crescimento, portanto, precisam justamente do que promovem: aceleramento, de forma que entregue obras úteis para o desenvolvimento. Os programas mantém suas promessas e demonstram investimentos em refinarias, complexos petroquímicos, usinas hidroelétricas, ferrovias, etc. Cabe à sociedade e à imprensa a vigilância do andamento dos programas e as críticas que constituirão melhoras dentro dos mesmos.

Outros programas do Governo pretendem mirar áreas diferentes. É o caso dos programas educacionais. Programas como o Prouni e o Pronatec demonstram um claro interesse do Governo Federal em oferecer educação de qualidade às classes mais pobres. Além disso, as manifestações exigiram, e o Governo prometeu a aplicação de 75% do montante do chamado pré-sal à educação (os outros 25% serão para a saúde). Essa porcentagem corresponde a 134,9 bilhões de reais investidos até 2022, segundo notícia da Agência Estado.  Apesar do número ainda não alcançar os 10% do valor do PIB, que é a meta buscada pelo Plano Nacional de Educação; em 2022, o investimento constituirá 7,21% do PIB, porcentagem superior aos 6,73% que existiria sem a destinação dos recursos do pré-sal. O número não é ideal, mas demonstra um avanço significativo na área da educação, o que contrasta, por exemplo, com a situação da Europa, aonde bolsas de estudo vem sendo cortadas diariamente e as matrículas de universidades públicas não deixam de ter alta de preços.



O transporte público será tema central durante a Copa do Mundo. Não somente brasileiros exigirão melhoras. Turistas do mundo inteiro sentirão em suas peles a situação em que os brasileiros se deslocam diariamente em grandes cidades e publicações estrangeiras apontarão modos de melhorar um problema que, hoje, parece ser difícil de solucionar. O certo é que existem muitas obras que em alguns anos vão melhorar o transporte nas grandes cidades. Os principais investimentos são dirigidos às ferrovias, que, segundo entrevista de Dilma Rouseff no programa Café com a Presidenta, não obstruem ruas e não são poluentes. Na mesma entrevista, a presidenta conta que serão investidos 32,4 milhões de reais em metrôs, VTLs (veículos leves sobre trilhos), monotrilhos e corredores de ônibus. Quem anda por uma grande cidade do país percebe rapidamente as obras relacionadas com o transporte. Obviamente essas obras hoje não oferecem melhoras, mas no futuro serão muito úteis, principalmente considerando que a frota de transporte privado não para de aumentar. Exigindo mais do Governo, medidas serão tomadas. Os donos de transporte privado precisarão de paciência extra, pois as obras complicam ainda mais o trânsito. Ainda assim, não há dúvidas de que o transporte público está recebendo investimentos. A dúvida surge quando o cidadão se pergunta se esses investimento realmente vão melhorar a situação do trânsito nas cidades. Nesse sentido, é possível pegar exemplos de outras cidades do mundo, onde a preferência pelo transporte público realmente demonstrou melhoras no trânsito, apesar de um início conturbado. Somente o tempo dirá se as medidas foram suficientes e, se não forem, a sociedade terá que xontinuar com suas exigências.

A saúde parece ser a área com menos projetos preparados. O maior triunfo do Governo foi com o programa Mais Médicos, que, apesar de muito criticado pela elite que forma o Conselho de Medicina, levou médicos onde não havia nem estrutura, nem profissionais. A medida está longe de solucionar o problema da saúde pública, mas aparece como uma boa alternativa para áreas pobres ou de difícil acesso. O programa mostra seu sucesso quando aparecem outras iniciativas parecidas. O Governo de São Paulo e seu governador, Geraldo Alckimin, vão implantar um programa parecido no estado mais rico do país. Faltam, por outro lado, fortes investimentos em estrutura e condições dos hospitais, problemas que deveriam ser pauta nas manifestações. Então, mais uma vez, cabe à sociedade exigir melhoras. Por outro lado, é contra produtivo reclamar de uma medida que não soluciona o problema, mas que o ameniza. É preciso valorizar tudo que melhora a situação. Se você tem câncer e toma aspirina porque não consegue pagar a quimioterapia, não tem sentido deixar de tomar aspirina se ela melhora um pouco seu problema. O mesmo vale para o Mais Médicos.

O Brasil precisa, sim, lutar contra as injustiças sociais, contra o descaso do Estado e contra a falta de ética de certos cidadãos e da maioria dos políticos. Mas, hoje, não tem sentido dizer que o país está indo a pior, principalmente porque ele tem recursos para investir e o está fazendo. O Brasil não sofreu com a crise econômica mundial e promove avanços enquanto o resto do mundo piora a cada dia. Não é hora de pessimismo, de queixas de barriga cheia ou de puro partidarismo ignorante. É hora de ir para as ruas! Foram precisos séculos para chegar nessa situação, serão precisos outros séculos para revertê-la. Mas o trabalho já começou. O Brasil pode aproveitar o momento, pode exigir melhoras nas condições de vida da população mais carente, pode mudar essa Polícia ditatorial. É hora de pegar a lista de problemas do primeiro parágrafo e escrever um “O Brasil pode mudar...” antes de cada problema citado. O Brasil pode eliminar cada uma dessas chagas que corrói seus cidadãos. Mas é necessária consciência de comunidade e boa vontade. Somente promovendo pensamentos e ideais de primeiro mundo será possível ter um país de primeiro mundo. Isso não acontecerá hoje, nem amanhã. Mas, quanto antes a sociedade exigir essas melhoras e essas mudanças profundas, antes teremos o país que todos desejam.

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