O Brasil não está bem. Ainda existem realidades
e histórias dignas de filmes dramáticos, como os milhares de homicídios
ocorridos em nossa pátria amada; as desocupações vergonhosas motivadas por
interesses privados e ignoradas pelo Estado; os espancamentos motivados pela
“justiça com as próprias mãos”; as milhares de crianças nas ruas ou
desaparecidas; os analfabetos que nunca tiveram oportunidades educacionais; o
trânsito e péssimo serviço público de transporte, que tira horas de bem estar
dos cidadãos; a fome, que ainda existe inclusive ao lado de prédios comerciais
onde se movimentam milhões de reais; a ignorância da população que literalmente
ignora sua participação nos problemas do país; as vidas inocentes perdidas
diariamente em favelas; os bilhões de reais dados a estádios que serão usados
por 40 dias; os policiais ditatoriais que fazem sua própria lei ao invés de se
submeter ao Estado de Direito; a terrível situação dos hospitais públicos, onde
morrem pessoas esperando o atendimento; o preconceito histórico que sempre
existiu principalmente nas classes favorecidas (incluído o preconceito contra
pobres); a falta de ética e moralidade em nossos políticos; a falta de
alternativas benéficas nas sucessões governamentais; os problemas de
infra-estrutura; os altos preços de certos produtos; o monopólio da imprensa,
que tem exatamente o mesmo discurso mesmo sendo rivais de audiência; a
hipocrisia da própria imprensa, que se julga imparcial e protetora da
sociedade, enquanto só protege seus próprios interesses; o ódio que o
brasileiro sente de ser brasileiro e dos próprios conterrâneos; entre milhares
de outros problemas que encheria páginas e mais páginas de qualquer jornal ou
revista.
A situação não é boa, de fato. Mas a situação
do país não está indo a pior. Não existem fatos, hoje, que demonstrem uma piora
social no Brasil. Isso porque, antes, a situação era pior. Antes de 1994 o
Brasil estava mais perdido ainda. A inflação era um terror (que não se lembra
das compras nos mercados, de manhã era um preço e à noite, outro) e o país
ainda sofria com todos esses problemas citados acima. O Governo de FHC não foi
perfeito e teve muitos erros, mas estabilizou a economia. O Plano Real
funcionou e, se hoje o Brasil tem estabilidade econômica, é graças aos
trabalhos feitos ontem. Com a estabilização monetária, os governos seguintes
poderiam manter o crescimento e aplicar os ganhos econômicos na sociedade. Foi
o que o Lula fez. Seu governo também não foi perfeito: teve muitos erros e em
certas situações foi especialmente omisso. Mas levou aos mais pobres um pouco
da riqueza do país. Tirou milhões da miséria e implantou programas sociais que
nos livraram da Crise Econômica Mundial, pois o crescimento do mercado interno
manteve a econômica em alta, enquanto o resto do mundo estava em queda livre,
arrastado com Estados Unidos e Europa. O Brasil se livrou da crise e conseguiu
visibilidade internacional com Lula. Quitou a dívida externa e fez avanços
sociais elogiados e copiados mundialmente.
Hoje, o mercado interno se estabilizou e o
Brasil tem uma nova classe média que mantém o mercado interno funcionando,
enquanto a maioria do resto do mundo (principalmente países como Espanha,
Grécia ou Itália) não consegue sair de casa para comer em um restaurante ou
para comprar uma roupa nova. Mas esse crescimento brasileiro vem diminuindo com
o passar dos meses. E é por isso que jornais estrangeiros afirmam que o
“oxigênio do Brasil acabou”. O mercado interno já não levanta a economia e o
país precisa de novas alternativas. É hora de investir a longo-prazo. Somente
ações desse tipo manterão o crescimento e oferecerão melhorias em
infra-estrutura, transporte, educação e saúde, o que se traduz em simples bem
estar social. O Governo Federal demonstrou ter percebido a mudança dos tempos:
tomou a iniciativa e lançou alguns planos que, teoricamente, melhorariam essas
áreas que continuam abandonadas. Os PAC-1 e PAC-2 são planos audaciosos que
levariam investimentos desse tipo, mas pouco menos da metade do investimento
foi destinado para a construção civil, o que não gera empregos nem traz
desenvolvimento. E, das obras concluídas, mais da metade corresponde a
financiamento hipotecário, o que não supõe avanços para long-prazo. Os
Programas de Aceleramento do Crescimento, portanto, precisam justamente do que
promovem: aceleramento, de forma que entregue obras úteis para o
desenvolvimento. Os programas mantém suas promessas e demonstram investimentos
em refinarias, complexos petroquímicos, usinas hidroelétricas, ferrovias, etc.
Cabe à sociedade e à imprensa a vigilância do andamento dos programas e as
críticas que constituirão melhoras dentro dos mesmos.
Outros programas do Governo pretendem mirar
áreas diferentes. É o caso dos programas educacionais. Programas como o Prouni
e o Pronatec demonstram um claro interesse do Governo Federal em oferecer
educação de qualidade às classes mais pobres. Além disso, as manifestações
exigiram, e o Governo prometeu a aplicação de 75% do montante do chamado
pré-sal à educação (os outros 25% serão para a saúde). Essa porcentagem
corresponde a 134,9 bilhões de reais investidos até 2022, segundo notícia da
Agência Estado. Apesar do número ainda não
alcançar os 10% do valor do PIB, que é a meta buscada pelo Plano Nacional de
Educação; em 2022, o investimento constituirá 7,21% do PIB, porcentagem
superior aos 6,73% que existiria sem a destinação dos recursos do pré-sal. O
número não é ideal, mas demonstra um avanço significativo na área da educação,
o que contrasta, por exemplo, com a situação da Europa, aonde bolsas de estudo
vem sendo cortadas diariamente e as matrículas de universidades públicas não
deixam de ter alta de preços.
O transporte público será tema central durante
a Copa do Mundo. Não somente brasileiros exigirão melhoras. Turistas do mundo
inteiro sentirão em suas peles a situação em que os brasileiros se deslocam
diariamente em grandes cidades e publicações estrangeiras apontarão modos de
melhorar um problema que, hoje, parece ser difícil de solucionar. O certo é que
existem muitas obras que em alguns anos vão melhorar o transporte nas grandes
cidades. Os principais investimentos são dirigidos às ferrovias, que, segundo
entrevista de Dilma Rouseff no programa Café com a Presidenta, não obstruem
ruas e não são poluentes. Na mesma entrevista, a presidenta conta que serão
investidos 32,4 milhões de reais em metrôs, VTLs (veículos leves sobre trilhos),
monotrilhos e corredores de ônibus. Quem anda por uma grande cidade do país
percebe rapidamente as obras relacionadas com o transporte. Obviamente essas
obras hoje não oferecem melhoras, mas no futuro serão muito úteis, principalmente
considerando que a frota de transporte privado não para de aumentar. Exigindo
mais do Governo, medidas serão tomadas. Os donos de transporte privado precisarão
de paciência extra, pois as obras complicam ainda mais o trânsito. Ainda assim,
não há dúvidas de que o transporte público está recebendo investimentos. A dúvida
surge quando o cidadão se pergunta se esses investimento realmente vão melhorar
a situação do trânsito nas cidades. Nesse sentido, é possível pegar exemplos de
outras cidades do mundo, onde a preferência pelo transporte público realmente
demonstrou melhoras no trânsito, apesar de um início conturbado. Somente o
tempo dirá se as medidas foram suficientes e, se não forem, a sociedade terá
que xontinuar com suas exigências.
A saúde parece ser a área com menos projetos
preparados. O maior triunfo do Governo foi com o programa Mais Médicos, que,
apesar de muito criticado pela elite que forma o Conselho de Medicina, levou
médicos onde não havia nem estrutura, nem profissionais. A medida está longe de
solucionar o problema da saúde pública, mas aparece como uma boa alternativa
para áreas pobres ou de difícil acesso. O programa mostra seu sucesso quando
aparecem outras iniciativas parecidas. O Governo de São Paulo e seu governador,
Geraldo Alckimin, vão implantar um programa parecido no estado mais rico do país.
Faltam, por outro lado, fortes investimentos em estrutura e condições dos
hospitais, problemas que deveriam ser pauta nas manifestações. Então, mais uma
vez, cabe à sociedade exigir melhoras. Por outro lado, é contra produtivo reclamar
de uma medida que não soluciona o problema, mas que o ameniza. É preciso
valorizar tudo que melhora a situação. Se você tem câncer e toma aspirina
porque não consegue pagar a quimioterapia, não tem sentido deixar de tomar
aspirina se ela melhora um pouco seu problema. O mesmo vale para o Mais Médicos.
O Brasil precisa, sim, lutar contra as
injustiças sociais, contra o descaso do Estado e contra a falta de ética de
certos cidadãos e da maioria dos políticos. Mas, hoje, não tem sentido dizer
que o país está indo a pior, principalmente porque ele tem recursos para
investir e o está fazendo. O Brasil não sofreu com a crise econômica mundial e
promove avanços enquanto o resto do mundo piora a cada dia. Não é hora de
pessimismo, de queixas de barriga cheia ou de puro partidarismo ignorante. É
hora de ir para as ruas! Foram precisos séculos para chegar nessa situação,
serão precisos outros séculos para revertê-la. Mas o trabalho já começou. O Brasil
pode aproveitar o momento, pode exigir melhoras nas condições de vida da
população mais carente, pode mudar essa Polícia ditatorial. É hora de pegar a
lista de problemas do primeiro parágrafo e escrever um “O Brasil pode mudar...”
antes de cada problema citado. O Brasil pode eliminar cada uma dessas chagas que
corrói seus cidadãos. Mas é necessária consciência de comunidade e boa vontade.
Somente promovendo pensamentos e ideais de primeiro mundo será possível ter um
país de primeiro mundo. Isso não acontecerá hoje, nem amanhã. Mas, quanto antes
a sociedade exigir essas melhoras e essas mudanças profundas, antes teremos o
país que todos desejam.



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