Quem pede tudo
que quer, recebe o que não quer. A oposição tentou aproveitar as últimas denúncias
relacionadas com a Petrobrás para criar uma CPI que, faltando pouco para as
eleições, se uniria às notícias do deputado André Vargas e formaria o tendão de
Aquiles do PT. As CPIs sempre foram um foco de atenção midiática e popular que
condicionam a imagem dos partidos investigados. A intenção da oposição com a
CPI exclusiva da Petrobrás era eleitoral e, fortalecida com o discurso da mídia
anti-petista, obviamente atingiria o Partido dos Trabalhadores. Mas o tiro saiu
pela culatra: com maioria na Comissão de Constituição e Justiça, a base do
governo conseguiu ampliar o foco da CPI, que agora também vai investigar os
contratos do Porto de Suape, em Pernambuco, e denúncias de formação de cartel no
sistema de trens de São Paulo.
Saiu pela
culatra porque, com essa mudança de foco, o PT atinge os talões de Aquiles de
seus dois principais opositores: Eduardo Campos e Aécio Neves, do PSB e PSDB,
respectivamente. Eduardo é governador de Pernambuco, onde se localiza o porto
cujos contratos serão investigados. E o PSDB ainda não deu explicações sobre o
escândalo nos trens de São Paulo. Por tanto, são temas delicados dentro desses três
partidos. Todos serão investigados e os holofotes da imprensa estarão sobre os três
partidos envolvidos nos três temas investigados. São coisas da Política. A
oposição quis bater no PT e acabou se ferindo na briga. Os três partidos só tem
a perder nessa briga, mas quem tem a ganhar é a população que vai conhecer
detalhes dos três temas investigados e saberá com mais detalhes a forma como
seus partidos preferidos se comportam no mundo político.
As eleições se aproximam e as armas estão
sendo carregadas. O PT conta com um importante “exército” de militantes nas
redes sociais para se proteger e atacar, enquanto a oposição conta com os
principais diários do país para ocultar e atacar. Essa CPI, mais que as outras,
deixará claro que ninguém é santo no mundo político e vai mostrar claramente
como essas Comissões Parlamentaria de Inquérito são praticamente manobras
políticas para tocar na ferida de adversários. Trata-se de por holofotes em
temas delicados cujos autores tentam mantê-los debaixo do tapete. A liberdade
de expressão permitirá a exposição de todos esses fatos e a sociedade
determinará, nas urnas, quem saiu menos ferido dessa Guerra Fria.
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