1 Outro Ponto

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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Quando a CPI sai pela culatra

Quem pede tudo que quer, recebe o que não quer. A oposição tentou aproveitar as últimas denúncias relacionadas com a Petrobrás para criar uma CPI que, faltando pouco para as eleições, se uniria às notícias do deputado André Vargas e formaria o tendão de Aquiles do PT. As CPIs sempre foram um foco de atenção midiática e popular que condicionam a imagem dos partidos investigados. A intenção da oposição com a CPI exclusiva da Petrobrás era eleitoral e, fortalecida com o discurso da mídia anti-petista, obviamente atingiria o Partido dos Trabalhadores. Mas o tiro saiu pela culatra: com maioria na Comissão de Constituição e Justiça, a base do governo conseguiu ampliar o foco da CPI, que agora também vai investigar os contratos do Porto de Suape, em Pernambuco, e denúncias de formação de cartel no sistema de trens de São Paulo.

Saiu pela culatra porque, com essa mudança de foco, o PT atinge os talões de Aquiles de seus dois principais opositores: Eduardo Campos e Aécio Neves, do PSB e PSDB, respectivamente. Eduardo é governador de Pernambuco, onde se localiza o porto cujos contratos serão investigados. E o PSDB ainda não deu explicações sobre o escândalo nos trens de São Paulo. Por tanto, são temas delicados dentro desses três partidos. Todos serão investigados e os holofotes da imprensa estarão sobre os três partidos envolvidos nos três temas investigados. São coisas da Política. A oposição quis bater no PT e acabou se ferindo na briga. Os três partidos só tem a perder nessa briga, mas quem tem a ganhar é a população que vai conhecer detalhes dos três temas investigados e saberá com mais detalhes a forma como seus partidos preferidos se comportam no mundo político.


 As eleições se aproximam e as armas estão sendo carregadas. O PT conta com um importante “exército” de militantes nas redes sociais para se proteger e atacar, enquanto a oposição conta com os principais diários do país para ocultar e atacar. Essa CPI, mais que as outras, deixará claro que ninguém é santo no mundo político e vai mostrar claramente como essas Comissões Parlamentaria de Inquérito são praticamente manobras políticas para tocar na ferida de adversários. Trata-se de por holofotes em temas delicados cujos autores tentam mantê-los debaixo do tapete. A liberdade de expressão permitirá a exposição de todos esses fatos e a sociedade determinará, nas urnas, quem saiu menos ferido dessa Guerra Fria.

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