1 Outro Ponto

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quarta-feira, 26 de março de 2014

As Marchas da Família tiveram mais êxito que outras

O centro das atenções             do fim de semana foram as reedições das Marchas da Família com Deus pela Liberdade, realizadas pela primeira vez em 1964, antes do Golpe Militar. Na edição atual, os manifestantes pediram “caça aos corruptos” e intervenção militar no Governo Federal.

Cartolinas anti-comunistas dominaram os meios de comunicação, que cobriram as manifestações de acordo com seus pontos de vista. Os progressistas trataram de menosprezar as exigências dos manifestantes enquanto a Grande Imprensa não duvidou em publicar suas reivindicações. Mas, apesar dos tumultos e gozações da esquerda, os manifestantes conseguiram cumprir com o objetivo de uma manifestação: dar atenção às suas exigências.

Muitas manifestações no Brasil perdem totalmente seu valor quando os meios de comunicação focam na violência e esquecem o motivo de manifestar. Com isso, não existe sentido no ato de manifestar, pois nenhum pedido ou queixa é manifestado. As Marchas da Família, por outro lado, conseguiram mostrar seus ideais que, apesar de não compactuar com os princípios democráticos, foram parar nas páginas dos principais veículos de comunicação do país. Esse é o verdadeiro sentido de manifestar e esse é o verdadeiro papel dos meios de comunicação, que sempre foram e sempre serão um serviço público com a obrigação de publicar o que é de interesse publico (os pedidos manifestados em um ato são sempre de interesse público).

Em uma manifestação normal, convocada pela esquerda e com a presença de Black Blocs, os meios de comunicação costumam indicar rapidamente os motivos que causaram a manifestação, mas optam por dar mais atenção às cenas de violência protagonizadas por aqueles que eles chamam de “vândalos”. Qual é o sentido de manifestar, se a única vertente visível é a violência entre manifestantes e policiais? Qual é o sentido de publicar sobre uma manifestação se o único a destacar é a violência? Nesse caso, imprensa e manifestantes atuam da forma que melhor convém a eles e da que menos convém à população no geral.


A Marcha da Família ganhou muita repercussão apesar dos poucos participantes. Essa repercussão se deve a determinações do jornalismo, que busca dar atenção a fatos anormais e excepcionais (as exigências das Marchas não são normais para o século XXI). Mas isso não tira o mérito dos manifestantes, que obtiveram, em um único ato, melhores resultados que a maioria dos atos que contaram com a presença dos Black Blocs. Deram uma verdadeira aula de manifestação, apesar do preconceito, da alienação e dos tumultos entre os próprios manifestantes. E a imprensa pela primeira vez demonstrou boa vontade em noticiar uma manifestação. O diário O Globo publicou uma grande reportagem mostrando diversas facetas da Marcha. Mas em outros atos centra unicamente na violência. 

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