O centro das atenções do fim de semana foram as reedições das Marchas da
Família com Deus pela Liberdade, realizadas pela primeira vez em 1964, antes do
Golpe Militar. Na edição atual, os manifestantes pediram “caça aos corruptos” e
intervenção militar no Governo Federal.
Cartolinas anti-comunistas dominaram os meios
de comunicação, que cobriram as manifestações de acordo com seus pontos de
vista. Os progressistas trataram de menosprezar as exigências dos manifestantes
enquanto a Grande Imprensa não duvidou em publicar suas reivindicações. Mas,
apesar dos tumultos e gozações da esquerda, os manifestantes conseguiram
cumprir com o objetivo de uma manifestação: dar atenção às suas exigências.
Muitas manifestações no Brasil perdem
totalmente seu valor quando os meios de comunicação focam na violência e
esquecem o motivo de manifestar. Com isso, não existe sentido no ato de
manifestar, pois nenhum pedido ou queixa é manifestado. As Marchas da Família,
por outro lado, conseguiram mostrar seus ideais que, apesar de não compactuar
com os princípios democráticos, foram parar nas páginas dos principais veículos
de comunicação do país. Esse é o verdadeiro sentido de manifestar e esse é o
verdadeiro papel dos meios de comunicação, que sempre foram e sempre serão um
serviço público com a obrigação de publicar o que é de interesse publico (os
pedidos manifestados em um ato são sempre de interesse público).
Em uma manifestação normal, convocada pela
esquerda e com a presença de Black Blocs, os meios de comunicação costumam
indicar rapidamente os motivos que causaram a manifestação, mas optam por dar
mais atenção às cenas de violência protagonizadas por aqueles que eles chamam
de “vândalos”. Qual é o sentido de manifestar, se a única vertente visível é a
violência entre manifestantes e policiais? Qual é o sentido de publicar sobre
uma manifestação se o único a destacar é a violência? Nesse caso, imprensa e
manifestantes atuam da forma que melhor convém a eles e da que menos convém à
população no geral.
A Marcha da Família ganhou muita repercussão
apesar dos poucos participantes. Essa repercussão se deve a determinações do
jornalismo, que busca dar atenção a fatos anormais e excepcionais (as
exigências das Marchas não são normais para o século XXI). Mas isso não tira o
mérito dos manifestantes, que obtiveram, em um único ato, melhores resultados
que a maioria dos atos que contaram com a presença dos Black Blocs. Deram uma
verdadeira aula de manifestação, apesar do preconceito, da alienação e dos
tumultos entre os próprios manifestantes. E a imprensa pela primeira vez
demonstrou boa vontade em noticiar uma manifestação. O diário O Globo publicou
uma grande reportagem mostrando diversas facetas da Marcha. Mas em outros atos
centra unicamente na violência.
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