1 Outro Ponto

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segunda-feira, 31 de março de 2014

Somente reconhecendo erros e perdoando os mesmos superaremos a Ditadura

“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”... Essa frase é vista como a esperança de muitos opositores à Ditadura Militar, cujo golpe completa 50 anos hoje, 31 de março. Não pretendo discutir quem estava certo ou quem estava errado, mas uma coisa é certa: não existe ditadura que faça bem. Sempre será uma mancha negra na história e seu legado negro sempre existirá nas mentes e corpos de nossos compatriotas. Isso porque se trata de um abuso de autoridade tremendo.

Já dizia Bob Marley que “se você é mais forte, deve proteger o mais fraco”. Mas aqui no Brasil essa filosofia infelizmente não se aplica, pois os mais fortes, os que têm mais condições e os que realmente tem poder suficiente para ajudar alguém com suas decisões costumam se preocupar somente com si mesmo e com seus semelhantes. E o resto que se f*. Esse era o pensamento que dominava o regime e que, hoje, também domina boa parte da população.

Isso porque uma ditadura é puro egoísmo: calam vozes de oposição, impõem um pensamento único e modos de conduta. Tudo que for contra o regime e seu modo de ver o mundo deve ser exterminado. É como um pai autoritário que só acredita em si mesmo e bate no filho cada vez que ele discorda. O que acontece com a criança no final das contas? Dependendo do caráter dela, ou ela acata e vive oprimida ou ela se revolta. E, no caso de revolta, o pai fica ainda mais bravo. Como será a vida dessa criança? Como ela vai olhar e se relacionar com o mundo? É por isso que não existe Ditadura que faça bem ao povo. Não me importo com valores econômicos, com ideologias ou com comparações. Uma ditadura sempre será um período negro e egoísta.

Nossa sociedade mudou muito, mas ainda podemos ver pessoas que mantém esse raciocínio egoísta. São justamente aqueles que pregam intolerância de raças, sexo e que não aceitam outras ideologias. Lembra muito o pensamento militar da época. São justamente aqueles que se revoltam e que hoje, em pleno século XXI, pedem intervenção militar para derrubar um governo eleito democraticamente só porque esse governo não encaixa no que eles defendem. Essas pessoas são, hoje, os pais autoritários que ficaram velinhos e não têm mais poder para mandar no filho. Mas mesmo assim, continuam insistindo, e nunca ficarão felizes, porque exigem dos outros justamente aquilo que não conseguem impor a si mesmos: tolerância, respeito e compreensão. Respondem críticas com mais críticas e nunca reconhecem um erro. Não tenho rancor, nem ódio dessas pessoas. Tento entendê-las e respeitá-las, que é o tratamento que eu gostaria de receber delas.

Somos uma sociedade. Um conjunto. Pessoas vivendo baixo as mesmas condições. Podemos e devemos nos entender para poder caminhar juntos. Caso contrário continuaremos nos acusando, criticando e  sofrendo, assim como na época da Ditadura. Cada um tem seu ponto de vista e todos nós podemos aprender com todos. Se achamos que estamos sempre certos nunca aprenderemos com nós mesmos. Muito menos com os outros. Os velhinhos autoritários devem reconhecer seus erros, mas o filho oprimido ou revoltado deve perdoar o pai. É um esforço que vale a pena. Não existe outra forma de superar uma Ditadura. Não adianta reconhecer erros e não perdoar. A rede Globo apoiou a ditadura, reconheceu o erro e hoje fala disso abertamente. Quem não a perdoou ainda sofre de raiva e impotência até ter tolerância suficiente para entender o próximo.

Todos nós, brasileiros, estamos envolvidos na Ditadura. A forma como reacionamos é o que condiciona a situação atual. Ainda estamos muito polarizados. Ainda somos muito egoístas e não conseguimos entender o outro. E esse egoísmo não se aplica somente aos simpatizantes da Ditadura, mas a todos aqueles que exigem ser aceitos e não conseguem aceitar ao próximo. A todos aqueles que criticam a intolerância de alguém, mas não conseguem tolerar a opinião dessa mesma pessoa. A todos aqueles que exigem melhores condições a certas pessoas desconsiderando completamente outro grupo não menos importante. Somos todos iguais, todos brasileiros. Temos a mesma história e o destino do país será nosso destino.


Passaram 50 anos desde o começo da Ditadura Militar e ainda discutimos quem estava errado e quem estava certo. É preciso menos discussão e mais compreensão. Isso porque discutir sem tentar entender o outro não leva à nenhum lugar. Enquanto tivermos esse orgulho exagerado continuaremos nos acusando mutuamente sem conseguir entender nada. Então, nesse aniversário de 50 anos do Golpe, vamos tentar superar o legado negro da Ditadura com uma forte dose de tolerância, respeito e igualdade. Vale para todos os lados e para todas as pessoas. Chega de intolerância, falta de respeito e de consideração pelos outros. Isso é uma democracia, não precisamos mais de valores ditatoriais. Mas precisamos urgente de valores do século XXI. Cultivar o respeito, a igualdade e a fraternidade já e um bom começo. Ou então podemos continuar cavando velhas feridas. A decisão é de cada um...

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